MENU
Desenvolvemos o seu aplicativo para smartphones
El Niño: bombeiros veem incêndios dobrarem e estimam pico em setembro
Publicado em 17/07/2026 07:46
Turismo & Meio Ambiente

Corporação quer alcançar 80 mil pessoas com educação ambiental para evitar uso do fogo em municípios com histórico de queimadas

 

Em meio ao início do El Niño, o Corpo de Bombeiros do Amazonas afirmou que viu crescer de 32 para 71 ocorrências de incêndios florestais no estado, neste mês de julho. A previsão é que o pico ocorra em setembro, quando podem haver queimadas sem controle devido a problemas de logística e a volta da fumaça em cidades do estado.

 

“No pico, estimamos 800 servidores, entre civis e militares, de forma simultânea. Além disso, poderemos ter o apoio do governo federa por meio da Força Nacional. Já fizemos a solicitação”, disse para A CRÍTICA o comandante da corporação, coronel Orleilso Muniz.

 

Segundo ele, o governo lançou em maio a operação Amazonas Mais verde, que contou com o envio de mais de 100 bombeiros ao interior do estado, elevando o total para 186. Foram contratados 153 brigadistas pela gestão estadual, além de outros agentes chamados diretamente pelas prefeituras, que cederam o efetivo ao governo.

 

Apesar do aumento de pessoal, com até 800 pessoas no pico, o governo tem dificuldades históricas para controlar incêndios de maior proporção no estado. Em 2024, durante o último El Niño, o Amazonas registrou 25.499 focos de calor, o maior nível já registrado desde o início da medição, em 1998.

 

Os maiores problema estão relacionados a logística, considerando que parte dos incêndios ocorre em áreas de difícil acesso. O Corpo de Bombeiros nem sempre dispõe de equipamentos com potência ou quantidade de água suficiente para realizar o controle do sinistro.

 

Educação ambiental

Questionado sobre esse fato, o comandante afirmou que podem haver incêndios sem controle neste ano, por isso, a aposta da corporação é em ampliar as ações de educação ambiental. A expectativa é alcançar 80 mil pessoas nos próximos cinco meses.

 

“Lançamos junto com a primeira fase da operação. Mandamos bombeiros militares a municípios do sul do Amazonas para fazer palestras nas escolas, comunidades rurais, indígenas, para evitar queimadas ilegais. Não adianta atuar só no momento em que o incêndio acontece e a gente atuar já com ele fora de controle. A educação ambiental é maior que a repressão. Mais de 13 mil pessoas já foram alcançadas nesse primeiro mês”, diz ele.

 

Outras ações

Orleilso Muniz também afirma que houve investimentos em “componentes de mobilidade rápida”, se referindo a picapes de combate a incêndio, que ele acredita que podem ajudar a chegar a comunidades de difícil acesso.

 

Outra questão destacada como diferencial é o aumento de bases no interior do estado. “Desde maio do ano passado, saímos de uma presença em 10 municípios, 11 com Manaus, para 25, então mais que dobramos. Até meados de 2025, não tínhamos quartel em Manaquiri e Autazes, por exemplo”, pontua.

 

Ele também destaca que houve nova chamada dos concursados de 2021 e 2022, com a formação de 400 novos soldados e 52 oficiais. Também há uma turma atualmente de 100 soldados em formação. Eles devem ser enviados ao interior para fortalecer as novas bases.

 

Plano climático

Nesta semana, A CRÍTICA publicou uma reportagem que aponta para o que o Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) considera morosidade na elaboração do Plano Estadual de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas.

 

Procurada, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) informou que, em maio de 2026, foi realizada a 1ª Oficina Estratégica para a Construção do Plano, contando com cerca de 30 instituições, entre órgãos estaduais e federais, setor de pesquisa, entidades de cooperação técnica e demais parceiros.

 

“A matriz preliminar de ações encontra-se em fase de validação pelas instituições participantes. A partir de julho, estão previstas reuniões bilaterais com os órgãos envolvidos, com o objetivo de alinhar os últimos detalhes e ajustar responsabilidades”, informou em nota.

 

Em agosto, serão realizadas oficinas virtuais com representantes femininas e dos Povos Indígenas, Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares (PIPCTAFs). Diz o governo, essas atividades terão como objetivo assegurar que os princípios de representatividade, participação social e justiça climática sejam incorporados de forma transversal ao Plano.

 

“A primeira versão tem previsão de conclusão para setembro de 2026. Ressalta-se, contudo, que a elaboração integral do Plano continuará nas etapas posteriores. Após a consolidação técnica da proposta, o documento ainda será submetido à consulta pública, possibilitando o recebimento de contribuições da sociedade, e posteriormente apresentado ao Fórum Amazonense de Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Serviços Ambientais (FAMC) para apreciação e aprovação”, consta em nota. Confira o posicionamento completo ao final.

 

Problemas associados

Além das queimadas, o El Niño deve provocar uma intensificação da estiagem no segundo semestre, o que em anos anteriores provocou isolamento de comunidades, dificultando acesso a água, comida e medicamentos.

 

Em nota, a Defesa Civil destacou que, ainda em 2025, foi instituído o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, composto por 33 secretarias, órgãos e entidades estaduais, responsável por coordenar o planejamento e a execução das ações preventivas e de resposta em todo o território amazonense.

 

“Como parte das medidas preventivas, o Governo do Amazonas publicou o Decreto nº 54.274, de 1º de junho de 2026, declarando Estado de Emergência Climática e Ambiental em todo o estado. A medida estabelece instrumentos legais que permitem ao Estado ampliar a capacidade de prevenção, preparação e resposta antes do agravamento dos impactos”, diz.

 

A Defesa Civil também passou a reunir órgãos públicos, instituições e setores estratégicos. Desde abril, por meio do Centro de Monitoramento e Alerta (Cemoa), vêm sendo apresentados os prognósticos hidrometeorológicos para o segundo semestre com orientações para prevenção ao cenário.

 

“O Estado já ampliou a estrutura do Projeto Água Boa para reforçar o abastecimento de água potável em comunidades ribeirinhas e rurais. Atualmente, cerca de 900 sistemas estão em operação em áreas de difícil acesso. Somente em 2026, foram distribuídos 148 kits de purificadores de água para 23 municípios, fortalecendo a capacidade de atendimento antes do período de maior estiagem”, afirma a Defesa.

 

O governo também afirma ter destinado 33 mil cestas básicas, equivalentes a 759 toneladas de ajuda humanitária, “reforçando o estoque estratégico para atendimento às populações eventualmente afetadas”.

 

Confira a nota da Sema na íntegra:

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente informa que o estado do Amazonas encontra-se em processo de elaboração do Plano Estadual de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, instrumento que estabelece diretrizes, metas e ações voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa e ao fortalecimento da adaptação e da resiliência climática no território estadual.

 

Em maio de 2026, foi realizada a 1ª Oficina Estratégica para a Construção do Plano, contando com cerca de 30 instituições, entre órgãos estaduais e federais, setor de pesquisa, entidades de cooperação técnica e demais parceiros. Os resultados da oficina contribuíram para a definição dos eixos estratégicos, objetivos, metas e ações que integrarão o Plano Estadual.

 

A matriz preliminar de ações encontra-se em fase de validação pelas instituições participantes. A partir de julho, estão previstas reuniões bilaterais com os órgãos envolvidos, com o objetivo de alinhar os últimos detalhes e ajustar responsabilidades.

 

Na etapa seguinte, em agosto, serão realizadas oficinas virtuais com representantes femininas e dos Povos Indígenas, Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares (PIPCTAFs). Essas atividades terão como objetivo assegurar que os princípios de representatividade, participação social e justiça climática sejam incorporados de forma transversal ao Plano.

 

A primeira versão tem previsão de conclusão para setembro de 2026. Ressalta-se, contudo, que a elaboração integral do Plano continuará nas etapas posteriores. Após a consolidação técnica da proposta, o documento ainda será submetido à consulta pública, possibilitando o recebimento de contribuições da sociedade, e posteriormente apresentado ao Fórum Amazonense de Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Serviços Ambientais (FAMC) para apreciação e aprovação.

 

Ademais, o Estado do Amazonas já se encontra em processo de elaboração do seu Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (PMIF), instrumento estratégico voltado ao planejamento permanente das ações de prevenção, preparação, resposta e responsabilização relacionadas a incêndios florestais e queimadas. A 1ª Oficina para sua construção ocorreu em abril. O PMIF do Amazonas tem previsão de lançamento para setembro de 2026.

 

O Amazonas também atua na implementação do Programa AdaptaCidades, iniciativa do Governo Federal por meio do Programa Cidades Verdes Resilientes, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), voltada ao fortalecimento das capacidades de estados e municípios para o planejamento da adaptação às mudanças climáticas.

 

A Sema, como ponto focal do programa, tem a função de apoiar os 10 municípios prioritários na elaboração dos planos de adaptação climática: Manaus, Itacoatiara, Parintins, Maués, Tabatinga, Coari, Tefé, Iranduba, Manacapuru e Humaitá.

 

No âmbito do monitoramento, a Sema dispõe de Sala de Situação voltada ao acompanhamento contínuo de variáveis meteorológicas, níveis dos rios, condições de seca, desmatamento, focos de queimadas e qualidade do ar, subsidiando a tomada de decisão em tempo real.

 

São publicados boletins hidrometeorológicos diários do Estado do Amazonas, mantidos como instrumento de apoio à gestão de risco. Os boletins são enviados a órgãos governamentais das esferas federal, estadual e municipal, instituições de pesquisa e ensino, entidades do setor produtivo, concessionárias de serviços essenciais, além de gestores e profissionais das áreas ambiental, de recursos hídricos e de defesa civil.

 

Ressalta-se, ainda, a participação da Sema como autora do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) para as regiões Norte e Centro-Oeste, ferramenta de referência nacional para o acompanhamento da severidade da seca no Brasil.

 

Informações sobre queimadas e desmatamento continuarão a ser disponibilizadas, mesmo durante o período de restrição eleitoral, por meio de paineis interativos https://www.sema.am.gov.br/painel-de-queimadas/ e https://www.sema.am.gov.br/painel-do-desmatamento/.

 

No contexto da 5ª fase do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCDQ-AM), referente ao triênio 2026–2028, estão previstas ações de capacitação e treinamento de brigadistas, bem como a formação de brigadas comunitárias em municípios prioritários do Estado, com vistas ao fortalecimento da capacidade local de prevenção e resposta a incêndios florestais.

 

Destaca-se, ainda, a atuação integrada do Estado por meio da Operação Tamoiotatá, que reúne diferentes órgãos de fiscalização, segurança pública e meio ambiente no combate ao desmatamento ilegal e às queimadas. A operação tem papel fundamental na intensificação das ações de monitoramento, fiscalização e resposta durante o período seco, contribuindo para a redução de ilícitos ambientais e para a mitigação dos impactos associados aos incêndios florestais no Estado. Estruturada em 15 etapas, com duração média de 20 dias cada, a Operação Tamoiotatá 6 começou em fevereiro e tem previsão de atuação até dezembro de 2026.

 

Confira a nota da Defesa Civil na íntegra:

O Governo do Amazonas vem atuando de forma antecipada e integrada para minimizar os impactos de uma possível estiagem severa em 2026. Desde o ano passado, o Estado intensificou o planejamento e mobilizou toda a estrutura de prevenção, monitoramento e resposta para enfrentar eventuais efeitos do fenômeno El Niño.

 

Ainda em 2025, foi instituído o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, composto por 33 secretarias, órgãos e entidades estaduais, responsável por coordenar o planejamento e a execução das ações preventivas e de resposta em todo o território amazonense.

 

O monitoramento hidrometeorológico realizado diariamente pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema/AM) aponta aumento da probabilidade de formação do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026. Segundo a Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), essa probabilidade pode ultrapassar 80% no período.

 

Como parte das medidas preventivas, o Governo do Amazonas publicou o Decreto nº 54.274, de 1º de junho de 2026, declarando Estado de Emergência Climática e Ambiental em todo o estado. A medida estabelece instrumentos legais que permitem ao Estado ampliar a capacidade de prevenção, preparação e resposta antes do agravamento dos impactos.

 

No Amazonas, os efeitos do El Niño podem provocar redução do volume de chuvas, aumento das temperaturas, intensificação da estiagem e maior risco de incêndios florestais, variando conforme a intensidade do fenômeno.

 

Muito antes do início do período mais crítico, a Defesa Civil do Amazonas passou a reunir órgãos públicos, instituições e setores estratégicos. Desde abril, por meio do Centro de Monitoramento e Alerta (Cemoa), vêm sendo apresentados os prognósticos hidrometeorológicos para o segundo semestre, permitindo o alinhamento das ações preventivas e o planejamento das respostas necessárias para cada cenário.

 

Paralelamente, o Estado já ampliou a estrutura do Projeto Água Boa para reforçar o abastecimento de água potável em comunidades ribeirinhas e rurais. Atualmente, cerca de 900 sistemas estão em operação em áreas de difícil acesso. Somente em 2026, foram distribuídos 148 kits de purificadores de água para 23 municípios, fortalecendo a capacidade de atendimento antes do período de maior estiagem.

 

Como parte da preparação logística, o Governo do Estado também já destinou 33 mil cestas básicas, equivalentes a 759 toneladas de ajuda humanitária, reforçando o estoque estratégico para atendimento às populações eventualmente afetadas.

 

Por meio do Comitê Permanente, o Estado mantém acompanhamento contínuo das necessidades dos municípios, em articulação direta com as prefeituras, enquanto a Sema monitora permanentemente as 42 Unidades de Conservação estaduais, permitindo respostas rápidas diante de alterações nas condições ambientais.

 

Outra frente prioritária é a prevenção aos incêndios florestais. A Operação Tamoiotatá permanece ativa durante todo o ano e terá sua atuação intensificada durante o período de estiagem, concentrando esforços principalmente nos municípios que historicamente registram maior incidência de queimadas, como Lábrea, Apuí, Novo Aripuanã, Boca do Acre, Manicoré, Canutama, Humaitá, Maués, Autazes, Tapauá, Manaus e Itapiranga.

 

O Governo do Amazonas também está fase final de elaboração do Plano Estadual de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, que consolida as ações já implementadas e estabelece novas diretrizes, metas e mecanismos de monitoramento para fortalecer a capacidade de adaptação do Estado no médio e longo prazos.

 

Nos últimos anos, o Estado também ampliou significativamente sua capacidade operacional. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios atendidos por bases permanentes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mais que dobrou, passando de 11 para 24 cidades. Destas, 13 contam com Grupamentos Integrados de Combate a Incêndio e Proteção Civil (GCIP), e cada nova base recebeu uma viatura com capacidade para 10 mil litros de água.

 

Entre 2019 e 2025, o efetivo do CBMAM cresceu 123%, passando de 692 para 1.537 militares, resultado do primeiro concurso público realizado para a corporação após 11 anos. Recentemente, a instituição também lançou a Operação Amazonas + Verde, incorporando 20 novas viaturas — sendo 17 picapes 4x4 equipadas para combate a incêndios e três veículos para transporte de tropa — além da entrega de 453 equipamentos multimissão destinados às operações em campo.

 

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) também reforçou sua capacidade de monitoramento por meio do Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas do Amazonas (CMAAP), que realiza acompanhamento contínuo de focos de calor, queimadas, desmatamento e demais pressões ambientais utilizando imagens de satélite, geotecnologias e sistemas integrados de análise territorial em tempo real.

 

As informações produzidas pelo centro subsidiam a emissão de alertas, o direcionamento das operações de fiscalização e a tomada de decisões estratégicas, integrando as ações previstas no Plano de Ação e Controle do Desmatamento e Queimadas do Amazonas (PACMAAP 2025–2028).

 

Com planejamento antecipado, monitoramento permanente e reforço da estrutura operacional, o Governo do Amazonas atua de forma preventiva para reduzir impactos, proteger a população e assegurar respostas rápidas diante de eventuais efeitos da estiagem e das mudanças climáticas.

 

(Foto: Mauro Neto/Secom)

Fonte: Waldick Junior/online@acritica.com

 

Comentários
Comentário enviado com sucesso!