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Wilson Lima se torna o primeiro ex-governador a não vencer o Senado desde 1988
Publicado em 06/10/2026 18:09
Politica

Político ficou dois mandatos à frente do governo, mas terminou disputa pelo Senado na quarta colocação

 

Após o primeiro turno das eleições de 2026 no último domingo (4), o ex-governador Wilson Lima (União) terminou em quarto lugar na disputa pelo Senado com apenas 11,89% dos votos. Com isso, Lima se tornou o primeiro político eleito pelo povo para governar o Amazonas que não conseguiu ser eleito senador após a redemocratização o país em 1988.

 

Desde a retomada das eleições diretas para governador, em 1982, ainda durante os últimos anos da ditadura militar, políticos que comandaram o Amazonas chegaram ao Senado em eleições posteriores. O primeiro foi Gilberto Mestrinho, eleito governador do Amazonas em 1982 e 1990, tendo sido eleito para o Senado em 1998, perdendo apenas a reeleição em 2006. Mestrinho já havia governado o Amazonas entre 1959 e 1963, antes de ser cassado pela ditadura.

 

Na sequência vem Amazonino Mendes, eleito governador do estado em 1986 e senador em 1990. No entanto, Amazonino ficou pouco tempo no cargo e foi eleito prefeito de Manaus em 1992 e governador novamente em 1994, tendo sido senador apenas por dois anos.

 

Eleito em 2002, Eduardo Braga (MDB) ficou dois mandatos à frente do governo do estado, sendo eleito senador no pleito de 2010 e reeleito duas vezes seguidas em 2018 e 2026, sendo o primeiro político amazonense a chegar a três mandatos no Senado pelo voto direto.

 

O senador Omar Aziz (PSD) foi o último da lista a governar o Amazonas e ser eleito senador. Vice de Eduardo Braga em seus dois mandatos, Aziz chegou ao governo em março de 2010 após seu titular renunciar para concorrer ao Senado, sendo reeleito nas eleições daquele ano. Em 2014, Omar Aziz foi eleito senador pelo Amazonas, cargo para o qual foi reconduzido em 2022. Neste ano, disputa novamente o governo e chegou ao segundo turno em primeiro lugar.

 

Os governadores após Omar Aziz não foram eleitos para o Senado. José Melo, eleito em 2014, foi cassado em 2017. David Almeida, então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), concorreu ao governo em 2018 e não venceu, não tendo nunca disputado o Senado. Amazonino Mendes retornou ao governo na eleição suplementar, mas não foi reeleito em 2018.

 

Wilson Lima conseguiu vencer aquele pleito e o de 2022, sendo derrotado na disputa pelo Senado. Seu vice-governador, Tadeu de Souza (PP), concorreu a deputado federal e terminou a corrida como suplente. Seu sucessor, o ex-presidente da ALE Roberto Cidade (União), concorreu à reeleição para o governo, mas ficou em terceiro lugar ainda no primeiro turno.

 

Outros

Além de Wilson Lima, houve somente um caso de um governador de mandato que não foi eleito para o Senado posteriormente: Leopoldo Neves, que governou o Amazonas entre 1947 e 1950. Nesse último ano, se desincompatibilizou para concorrer a senador, mas perdeu a paga para Vivaldo Lima.

 

Houve inda o caso de governadores que não foram eleitos logo após suas gestões, mas acabaram vencendo posteriormente ou já haviam exercido o cargo antes. Álvaro Botelho Maia, por exemplo, governou o Amazonas em três oportunidades: interventor em 1930 e 1935 e eleito pelo voto em 1950. Nesse meio tempo, foi eleito senador em 1945. Após seu governo eleito em 1950, Maia perdeu a disputa pelo Senado em 1954, 1958 e 1962, retornando ao cargo apenas em 1966, já filiado à Aliança Renovadora Nacional (Arena) da ditadura.

 

Houve ainda o caso de José Lindoso (Arena), eleito governador indiretamente pela Assembleia Legislativa para o governo em 1979. Antes, Lindoso havia sido eleito senador em 1970. Contudo, ficou em segundo lugar no pleito de 1982, perdendo a vaga para Fábio Lucena.

 

(Foto: Junio Matos / Arquivo AC)

Fonte: Lucas dos Santos/acritica.com

 

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