É admirável a iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de envolver a comunidade no esforço de preservação e restauração de imóveis no centro histórico de Manaus. A capital amazonense conta com enorme potencial turístico e urbanístico no Centro, que sofre com o esvaziamento noturno e a degradação de imóveis privados. A ideia do Iphan – o Plano de Conservação, Zeladoria e Educação Patrimonial do Centro Histórico de Manaus – foi apresentada ontem no Palacete Provincial, e tem como mote envolver as pessoas, os moradores, na tarefa de preservar e recuperar o Centro. Isso é interessante porque muitos moradores têm total interesse em recuperar seus imóveis, mas esbarram no fato de que – por se tratar de edificações tombadas - qualquer intervenção precisa seguir uma burocracia que nem todos estão dispostos a encarar.
O plano do Iphan simplifica esse processo ao oferecer capacitação aos moradores para que possam reformar seus imóveis sem descumprir a legislação. Segundo dados da Prefeitura, o Centro Histórico de Manaus possui mais de 1.650 imóveis protegidos em diferentes níveis de tombamento, sendo a maioria de propriedade particular. Vale ressaltar que programa não exclui a responsabilidade do poder público de apoiar os proprietários e também de atuar diretamente na restauração de prédios históricos de sua responsabilidade.
Manaus ainda carece de uma estratégia mais abrangente, multi-institucional e com ampla participação popular voltada para o Centro. É verdade que houve algumas iniciativas valiosas visando a valorização da área mais antiga da cidade nos últimos anos. Podemos citar o programa “Manaus Histórica”, que reformou a Biblioteca Municipal; e o programa “Nosso Centro”, que deu vida nova ao Casarão Thiago de Melo, por exemplo. A construção de estruturas como o Mirante Lúcia Almeida também é algo positivo. São ações louváveis, mas ainda insuficientes diante da grande área que precisa de atenção.
O risco de esvaziamento urbano é real, com os bairros desenvolvendo seu próprio comércio e vasta oferta de serviços. Não há como promover a revitalização do Centro sem a participação das pessoas.
(Foto: Paulo Bindá)
Fonte: acritica.com